O objetivo deste artigo é apresentar os principais conceitos relativos a finanças pessoais, com breves explicações e exemplos sucintos, de modo que o leitor possa se familiarizar melhor com esse incrível mundo das finanças. Não é nosso objetivo esgotar o assunto, até porque existe uma infinidade de bibliografias que discorrem sobre o tema, mas sim iluminar o começo da trilha de aprendizado, que muitas vezes nos confunde no início.
Com o intuito de não confundir os leitores iniciantes, apresentaremos aqui apenas os conceitos diretamente relacionados a finanças pessoais, permitindo sua aplicação prática no dia-a-dia. Conceitos mais técnicos, como finanças corporativas, serão apresentados em um momento posterior. Outra metodologia que adotamos para facilitar o conhecimento é ordenar os conceitos em ordem de simplicidade e próximos a conceitos do mesmo grupo de aplicação.
Os principais conceitos de finanças pessoais estão listados abaixo:
1. Receita
É todo o dinheiro que entra no seu bolso, seja de forma recorrente (como salário) ou eventual (como um presente ou um trabalho extra). A receita é a base do planejamento financeiro, pois indica os recursos disponíveis para manter seu estilo de vida, poupar, investir e quitar obrigações.
Exemplo: Maria recebe R$ 2.000 de salário fixo e complementa sua renda com R$ 500 vendendo doces nos fins de semana. Sua receita total é de R$ 2.500. Se, futuramente, Maria alugar um quarto de sua casa por R$ 600, sua receita mensal passará a ser R$ 3.100.
2. Despesas Fixas
São gastos que se repetem todos os meses, em valores iguais ou semelhantes, independentemente de escolhas de consumo. São compromissos que devem ser pagos para seguir normalmente com a rotina.
Exemplo: Maria gasta R$ 800 com aluguel, R$ 120 com internet e cerca de R$ 150 de conta de luz. Esses valores precisam ser pagos todos os meses, e por isso devem ser considerados como prioridade em seu orçamento.
3. Despesas Variáveis
São gastos que mudam de valor de acordo com as escolhas ou imprevistos. Normalmente estão ligados ao lazer ou consumo eventual, mas também podem ser despesas inesperadas. São justamente elas que mais comprometem o controle financeiro se não forem monitoradas.
Exemplo: em um mês Maria gastou R$ 400 em restaurantes e no mês seguinte apenas R$ 150. Se ela decidir economizar, pode reduzir consideravelmente esses gastos optando por cozinhar em casa.
4. Orçamento Pessoal
É a ferramenta de controle financeiro que organiza receitas e despesas em um período, geralmente mensal. O orçamento permite saber se você está gastando mais do que ganha, onde pode cortar custos e quanto pode poupar.
Exemplo: Maria utiliza um aplicativo de finanças pessoais e percebeu que, em média, gasta R$ 500 por mês em delivery. Ao identificar isso, conseguiu cortar R$ 300 e destinar esse valor para a sua reserva de emergência.
5. Ativos e Passivos
Ativos são bens ou investimentos que aumentam o patrimônio ou geram renda. Passivos são bens ou obrigações que apenas geram custos, diminuindo a disponibilidade de dinheiro. Diferenciar os dois é essencial para construir riqueza.
Exemplo: Maria possui um carro. Quando o utiliza apenas para deslocamento pessoal, ele é um passivo (combustível, manutenção e IPVA). Se, no entanto, o utiliza para trabalhar como motorista de aplicativo, passa a gerar receita e pode ser considerado também um ativo.
6. Crédito
É a confiança que uma instituição financeira ou empresa concede ao permitir que você utilize dinheiro agora e devolva no futuro. É um recurso útil quando usado com responsabilidade, mas pode gerar endividamento grave se mal administrado.
Exemplo: Maria possui um cartão de crédito com limite de R$ 2.000. Isso significa que o banco concede a ela crédito temporário. Porém, se Maria não pagar a fatura integral no vencimento, entrará no rotativo, que possui juros muito elevados.
7. Empréstimo
É quando uma pessoa física pega dinheiro emprestado de uma instituição financeira, comprometendo-se a devolver o valor acrescido de juros. Serve para situações emergenciais ou projetos específicos, mas pode comprometer o orçamento no longo prazo se for usado sem planejamento.
Exemplo: Maria pediu um empréstimo de R$ 3.000 para pagar em 12 parcelas de R$ 320. Ao final, devolveu R$ 3.840, ou seja, R$ 840 apenas em juros.
8. Financiamento
É um tipo de empréstimo voltado para a compra de bens de maior valor, como imóveis e veículos. Geralmente envolve prazos longos e taxas de juros que podem tornar o valor final pago ser muito superior ao preço à vista.
Exemplo: Maria comprou um carro de R$ 40.000 financiado em 48 parcelas de R$ 1.200. Ao término do contrato, terá pago R$ 57.600, ou seja, R$ 17.600 a mais do que o valor original do carro.
9. Consórcio
É um sistema de compra coletiva em que um grupo de pessoas paga parcelas mensais para formar um fundo comum. Todos os meses, um ou mais participantes são contemplados com uma carta de crédito, por sorteio ou lance, que pode ser usada para comprar o bem desejado. Não há juros, mas existe taxa de administração e correção das parcelas de acordo com determinado índice de mercado (ex: INCC para imóveis).
Exemplo: Maria entrou em um consórcio de R$ 30.000 para adquirir uma moto. Pagava R$ 600 por mês. No 8º mês, foi sorteada e recebeu a carta de crédito para comprar a moto, mesmo ainda não tendo quitado todas as parcelas.
10. Juros
É o custo do dinheiro no tempo. Quem pega dinheiro emprestado paga juros; quem investe recebe juros. É o conceito que explica tanto o crescimento das dívidas quanto a valorização de investimentos.
Exemplo: Maria aplicou R$ 1.000 na poupança e recebeu R$ 5 de juros em um mês. Por outro lado, ao atrasar a fatura do cartão de crédito, o banco cobrou R$ 100 de juros.
10.1 Juros Simples
São calculados sempre sobre o valor inicial emprestado ou investido, sem considerar os juros acumulados.
Exemplo: Maria emprestou R$ 1.000 a uma amiga cobrando 2% ao mês. A cada mês a amiga deveria R$ 20 de juros, independentemente do tempo que passasse.
10.2 Juros Compostos
São calculados sobre o valor inicial e também sobre os juros acumulados. É conhecido como “juros sobre juros” e é o que faz investimentos de longo prazo crescerem de forma exponencial.
Exemplo: Maria investiu R$ 10.000 a 2% ao mês. No primeiro mês, tinha R$ 10.200. No segundo mês, os 2% incidiram sobre R$ 10.200, gerando R$204 de rendimento e montante de R$10.404. Com o passar dos meses, o efeito se acumula.
11. Inflação
É a elevação geral dos preços de bens e serviços ao longo do tempo, que reduz o poder de compra do dinheiro. Se a sua renda não cresce na mesma proporção, você passa a comprar menos com o mesmo valor.
Exemplo: no ano passado, um lanche custava R$ 10 e hoje custa R$ 12. Isso significa que houve uma inflação de 20%. Para manter seu padrão de vida, seria necessário aumentar sua renda ou cortar outros gastos.
12. Score de Crédito
É uma pontuação que mede o grau de confiança que bancos e empresas têm de que você pagará suas dívidas em dia. É calculado com base no histórico de pagamentos, dívidas em aberto e uso de crédito. Quanto maior o score, maiores as chances de conseguir crédito com juros baixos.
Exemplo: Maria sempre pagou suas contas em dia, nunca deixou dívidas em aberto e por isso tem score de 850 (em uma escala até 1.000). Isso facilitou a aprovação de um financiamento com juros menores.
13. Tabela Price
É um sistema de amortização em que todas as parcelas do financiamento têm o mesmo valor. No início, a maior parte da parcela é composta por juros, enquanto a amortização do valor principal é pequena. Com o tempo, essa proporção se inverte.
Exemplo: Maria financiou um carro em 36 parcelas de R$ 1.000. Nos primeiros meses, aproximadamente R$ 700 eram juros e R$ 300 amortizavam a dívida. No final do contrato, a parcela ainda era R$ 1.000, mas quase toda composta por amortização.
14. Tabela SAC (Sistema de Amortização Constante)
Nesse sistema, a amortização do valor principal é constante e os juros diminuem ao longo do tempo. Isso faz com que as parcelas comecem maiores e se reduzam gradualmente. É mais vantajoso no valor final, mas pesa mais no início do financiamento.
Exemplo: Maria financiou um imóvel em 20 anos. Sua primeira parcela foi de R$ 2.500 e a última será de R$ 1.200. Embora o valor inicial seja alto, o total de juros pagos ao final será menor do que em um financiamento pela Tabela Price.
15. Reserva de Emergência
É um montante guardado para cobrir imprevistos, como desemprego, problemas de saúde ou despesas inesperadas. Deve estar aplicado em investimentos seguros e de fácil resgate. O ideal é acumular entre 6 e 12 meses de despesas mensais.
Exemplo: Maria, cujas despesas mensais são de R$ 2.000, juntou R$ 12.000 em Tesouro Selic. Assim, se perder o emprego, terá ao menos seis meses para se reorganizar financeiramente sem depender de empréstimos.
16. Dívida Boa x Dívida Ruim
Dívida boa é aquela feita com o objetivo de gerar retorno futuro, seja aumentando a renda ou preservando patrimônio. Dívida ruim é a que financia consumo imediato e não traz benefícios de longo prazo.
Exemplo: Maria pegou um empréstimo para fazer uma pós-graduação que aumentou seu salário em 40% (dívida boa). Já quando parcelou uma televisão de última geração sem necessidade, apenas por impulso, fez uma dívida ruim.
17. Bitcoin e Criptoativos
Bitcoin é a primeira e mais conhecida criptomoeda, criada em 2009. É digital, descentralizada e tem oferta limitada, sendo chamada de “ouro digital”. Criptoativos são todos os ativos digitais baseados em blockchain, que incluem criptomoedas, tokens e NFTs. Eles representam a evolução do sistema financeiro, mas as soluções alternativas ao Bitcoin apresentam muitos riscos.
Exemplo: Maria comprou R$ 500 em Bitcoin acreditando que o ativo se valorizaria no longo prazo. Também utilizou uma stablecoin (USDT) para enviar dinheiro a um parente no exterior em poucos minutos, sem precisar de bancos.
Conclusão
O presente artigo foi escrito com a finalidade de esclarecer os principais conceitos de finanças pessoais, para que não sejam mais estranhos aos leitores que estão iniciando seus estudos sobre o tema.
Esperamos também que nossos leitores possam aplicá-los em sua vida pessoal, a fim de que evitem cair em armadilhas financeiras e tirem o melhor proveito de sua renda.
Agradecemos pela sua leitura e caso tenham mais dúvidas, basta entrar em contato conosco!

